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O que foi a Revolta da Vacina?


No começo do século XX, o Rio de Janeiro era a maior cidade brasileira, possuindo uma população de cerca de 800 mil habitantes.


O crescimento urbano dessa cidade aconteceu de forma rápida e desordenada, de maneira que a questão sanitária.


Logo, isso tornou-se um problema.


Uma vez que doenças como febre amarela, varíola, cólera, peste bubônica, entre outras, matavam a população e assustavam os estrangeiros.


Dados da Fiocruz


De acordo com o texto A Revolta da Vacina” (2005), publicado no portal da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em meados de 1904 houve um enorme crescimento no número de casos de varíola na capital federal.


Na época, o número de internações chegava a 1.800 em um dos principais hospitais da cidade.


No entanto, estes números não eram suficientes para sensibilizar a população da importância da vacinação.


As camadas populares rejeitavam a vacina, sob os mais diversos pretextos, dentre eles o boato de que as pessoas que se vacinavam ficavam com feições bovinas, já que a vacina era produzida a partir de líquido de pústulas de vacas doentes.


Obrigatoriedade da vacinação


No Brasil, o uso da vacina contra a varíola foi declarado obrigatório para crianças em 1837 e para adultos em 1846.


Mas essa resolução não era cumprida, até porque a produção da vacina em escala industrial no Rio só começou em 1884.

Então, em junho de 1904, Oswaldo Cruz motivou o governo a enviar ao Congresso um projeto para restaurar a obrigatoriedade da vacinação em todo o território nacional.


Apenas os indivíduos que comprovassem ser vacinados conseguiriam contratos de trabalho, matrículas em escolas, certidões de casamento, autorização para viagens, etc.




Revolta da Vacina


Após muito debate, a nova lei foi aprovada em 31 de outubro e regulamentada em 9 de novembro de 1904, servindo como estopim para um episódio conhecido como “A Revolta da Vacina”.


O povo não aceitava ver sua casa invadida e ter que tomar uma injeção contra a sua vontade.


Então as pessoas foram às ruas da capital da República protestar.


No entanto, a revolta não se resumiu a esse movimento popular.


A discussão em torno da vacina também serviu de pretexto para a ação de forças políticas que queriam depor Rodrigues Alves (representante da oligarquia cafeeira).


Então monarquistas, militares, republicanos radicais e operários se uniram para combater a vacinação obrigatória.


Com a criação da Liga Contra a Vacinação Obrigatória, em novembro de 1904, houve uma onda de protestos, sendo que no dia 13 o caos estava instalado no Rio de Janeiro.


“Houve de tudo ontem. Tiros, gritos, vaias, interrupção de trânsito, estabelecimentos e casas de espetáculos fechadas, bondes assaltados e bondes queimados, lampiões quebrados à pedrada, árvores derrubadas, edifícios públicos e particulares deteriorados”, dizia a edição de 14 de novembro de 1904 da Gazeta de Notícias, conforme o texto da FIOCRUZ (2005).

O tumulto chegou inclusive à caserna, com os cadetes da Escola Militar da Praia Vermelha enfrentando tropas governamentais na rua da Passagem.


Do lado popular, os revoltosos que mais resistiram aos batalhões federais ficavam no bairro da Saúde.


Eram mais de 2 mil pessoas, mas foram vencidas pela dura repressão do Exército.


Por fim, o texto da Fiocruz (2005) relata que, após um saldo total de 945 prisões, 461 deportados, 110 feridos e 30 mortos em menos de duas semanas de conflitos.


Rodrigues Alves se viu obrigado a desistir da vacinação obrigatória, enfatizando que todos os lados acabaram contabilizando perdas, com os revoltosos punidos pelo governo e castigados pela varíola.


O índice de vacinação que vinha crescendo, despencou abruptamente, depois da tentativa de torná-la obrigatória, com a ação do governo podendo ser classificada como desastrosa.

Mais tarde, em 1908, quando o Rio de Janeiro foi atingido pela mais violenta epidemia de varíola de sua história, o povo correu para ser vacinado, em um episódio avesso ao da Revolta da Vacina.


Passados 116 anos da Revolta da Vacina


Passados 116 anos da Revolta da Vacina, poucas semanas depois em que o Reino Unido e os Estados Unidos iniciam o processo de vacinação contra a COVID-19, alguns jornais noticiam que cerca de 40% dos americanos não demonstram interesse em serem vacinados.


Aqui no Brasil se discute de norte a sul as intenções de construir um plano de vacinação, envolvendo Ministério da Saúde, Supremo Tribunal Federal, Governadores, Prefeitos e profissionais da saúde.

Nesse momento é importante revisitar este histórico episódio, para que não venhamos a incorrer em equívocos semelhantes, politizando aspectos que envolvem questões científicas, de saúde pública e, em última instância, econômicas.


O plano de vacinação deve ser pensado para o País, envolvendo transparência na compra e certificação da vacina pela ANVISA, planejamento da logística de distribuição e aplicação da vacina, bem como comunicação com a população. A politização deste processo pode, como lá em 1904, gerar uma batalha sem vencedores, tendo como maior perdedor a população: mais vidas perdidas, mais desemprego e mais desequilíbrio nas contas públicas.


Possível recuperação das atividades econômicas


Com a perspectiva da vacinação e consequente recuperação da atividade econômica, o IBOVESPA fechou a sexta-feira (11) em 115.128 pontos, com uma valorização de 1,21% na semana e de 5,73% no mês, enquanto a dólar ptax fechou em R$ 5.0691, com queda de 1,96% na semana e de 4,93% no mês.


A má notícia da semana ficou por conta da divulgação do IPCA de novembro, que foi de 0,89%, 0,03 pontos percentuais acima da taxa de outubro (0,86%).


Essa é a maior variação para um mês de novembro desde 2015, quando o IPCA foi de 1,01%, acumulando alta de 3,13% no ano e, em 12 meses, de 4,31%, acima dos 3,92% observados nos 12 meses imediatamente anteriores, influenciado pelos alta dos alimentos e dos combustíveis.




De acordo com IBGE, dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, sete tiveram alta em novembro.


A maior variação (2,54%) e o maior impacto (0,53 p.p.) vieram, mais uma vez, do grupo Alimentação e bebidas, que acelerou frente a outubro (1,93%).


Em que pese o bom humor do mercado com o início da vacinação no mundo, os investidores continuam monitorando atentamente o quanto o governo conseguirá transformar as intenções de vacinação em um plano efetivo.


Pois em meio a nova onda de crescimento de casos e óbitos pela Covid-19, esta sinalização é importante para definir os rumos da economia para o próximo ano.


Autor: Marco Antônio dos Santos Martins

Professor do DCCA da Faculdade de Ciências Econômicas da UFRGS, Doutor em Administração, com ênfase em Finanças e Mestre em Economia pela UFRGS.


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